Mortalha

que és tu, noturno ser
cujo braço me enlaça
tal véu que vem a descer
um fardo que me abraça

azedume das agruras
repousa em pensamento
e nas horas mais escuras
volta a mim como tormento

tento fuga sem efeito
me repulsa o empecilho
mas perdido em seu leito
dele não me desvencilho

no passado já puniram
pessoas em teu alento
mesmo assim não te impediram
tu seduzes violento

longe do meu egoísmo
que deitado em ti me encolho
pés à beira do abismo
mortalha me cobre o olho

Antunes, 2018.

Anúncios
Imagem | Esse post foi publicado em Poemas. Bookmark o link permanente.

Deixe seu comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s