Noturno numa praça

A experiência da poesia é intensa
que não dá repouso, uma vez
incendiado por ela, brasa eterna
revela segredos do mundo.

O banco da praça e as flores
no jardim dançando à brisa
já não são mais só
banco, jardim ou brisa.

Corporificam misteriosamente o tempo
gigante, nos envolve e retém
da gente sua substância essencial.
Mas não se iluda! Não se iluda!

Não é o balanço colorido das flores
ou os beijos dos apaixonados
que contam a História desse instante
singular também de miséria e solidão.

Vê?

Esse jornal datado que distrai
meus olhos quando descanso, atente!
Será em breve morno abrigo
em casa habitada por tantos.

Daí a dor do poeta, que canta
_______________________a rosa
erguida bela, encarnada lhe suspende
sem jamais esqueçe-lo do caule-pena
em punho firme a sangrá-lo a mão.

Joaquim Miguel, 2016.

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